24 junho 2006

"Qual é o jogador português que mais titila as meninas?"

Numa altura em que anda toda a gente agarrada pela(s) bola(s), a Gotinha lançou um mui oportuno inquérito cujo título aparece ali em cima. Eu já votei.
Cada menina só tem de carregar no link ali em baixo e votar uma vez dando o nome de dois jogadores titilantes (não sei, esta palavra caíu-me no goto!). O prazo termina na segunda-feira, 26.
Assim sendo...


(PS: mãe, se não gostas, vai lá e escolhe os teus, olha que história!)

21 junho 2006

21.06.2006

(daqui)

Tal como dizes, hoje foi um bom dia: começou o Verão, comemos 2 pratos de chilli, e acabaram 3 meses de nó na garganta.
Tudo está bem quando acaba bem.

Universal 2006





(via email)

18 junho 2006

Uma Turma

(daqui)

Extracto aproximado do diálogo de hoje, pelas 12h00, enquanto se preparavam molemente para o jogo de futebol "casados e solteiros":
compadre: ... e nem devia estar aqui, deitei-me às 4 da manhã. Fui jantar com uma turma...
antonymous: (de olho guloso arregalado) Com a Uma Thurman?!?!
compadre: não! Com uma turma!
antonymous: (desapontado) ah...
Resultado do jogo: 7-6
Melhor jogador em campo: a rotweiller Nikas

15 junho 2006

Assertividade

O Não custava-lhe. Era assim como uma unha encravada, um arrancar de dentes sem anestesia, um copo de fel. Quando parecia querer subir-lhe aos lábios logo todos os anticorpos se mobilizavam para fazer crescer aquele nó na garganta, provocar aquela secura de boca que o remetia de novo ao canto escuro de onde nunca conseguia sair.
O Sim, por sua vez, era uma puta doida que lhe saía boca fora por dá cá aquela palha. Tornava a vida fácil aos outros e a dela num beco sem saída, num inferno em vida, esgotando-a de tanto se oferecer.
E foi assim, esgotada e já sem crédito de si mesma que um belo dia decidiu que assertividade não seria mais palavra vã e que do Não faria a sua bandeira. E tão orgulhosa ia da sua recém-descoberta coragem que só se apercebeu do assalto já a arma estava para ela apontada. E quando lhe exigiram a carteira, abriu bem os olhos e disse, pela primeira vez, "Não!".
Segundos depois caía no chão, os olhos arregalados, espantados ainda com o impacto da nova palavra. Da boca saía-lhe agora o Sim aos borbotões, expulso para sempre do seu vocabulário e da sua vida. Esboçou um leve sorriso de alívio e fechou os olhos.

12 junho 2006

Santo António com manteiga

(daqui)

... e faz hoje 18 anos qu'o gajo me perguntou, entre copos e sardinhas, se eu gostava de manteiga.
A mim, que nunca tinha visto o "Último Tango..."! Na minha Santa Ignorância, disse que sim.
E cá estamos...

08 junho 2006

Anúbis e Ísis


Entraram ontem para a família.

03 junho 2006

Cérebro masculino


(via email)

29 maio 2006

27 maio 2006

Atlantic City

Well they blew up the chicken man in Philly last night now they blew up his house
too
Down on the boardwalk they're gettin' ready for a fight gonna see what them racket
boys can do
Now there's trouble busin' in from outta state and the D.A. can't get no relief
Gonna be a rumble out on the promenade and the gamblin' commission's hangin'
on by the skin of its teeth
Well now everything dies baby that's a fact
But maybe everything that dies someday comes back
Put your makeup on fix your hair up pretty
And meet me tonight in Atlantic City
Well I got a job and tried to put my money away
But I got debts that no honest man can pay
So I drew what I had from the Central Trust
And I bought us two tickets on that Coast City bus
Well now everything dies baby that's a fact
But maybe everything that dies someday comes back
Put your makeup on fix your hair up pretty
And meet me tonight in Atlantic City

Now our luck may have died and our love may be cold but with you forever I'll stay
We're goin' out where the sand's turnin' to gold so put on your stockin's baby
'cause the night's getting cold
And everything dies baby that's a fact
But maybe everything that dies someday comes back
Now I been lookin' for a job but it's hard to find
Down here it's just winners and losers and don't get caught on the wrong side of
that line
Well I'm tired of comin' out on the losin' end
So honey last night I met this guy and I'm gonna do a little favor for him
Well I guess everything dies baby that's a fact
But maybe everything that dies someday comes back
Put your hair up nice and set up pretty
and meet me tonight in Atlantic City
Meet me tonight in Atlantic City
Meet me tonight in Atlantic City

Bruce Springsteen, "Atlantic City"

Tinha saudades do "Nebraska".
Se conduzisse, pegava no Camaro e metia estrada fora, quilómetros e quilómetros de estrada ladeada por quilómetros e quilómetros de deserto, de areia, de pó, sol escaldante e "Nebraska". A América que eu não conheço tem sempre esta banda sonora.

23 maio 2006

A sucker for soccer

(daqui)

Mulher, se esperavas uma oportunidade para...

- comprar finalmente aquela malinha tão gira equivalente a meio mês de ordenado sem ouvir recriminações;
- pôr a leitura em dia, descansada;
- sair todas as noites e voltar tarde e mal (até podes trazer companhia, ele não vai notar!);
- jantar com aquelas amigas que não vês há séculos porque "...são umas galinhas!";
- dormir as noites descansada e com a cama toda por tua conta (ele adormeceu no sofá com a cara enfiada na malga dos amendoins);
- fazer olhinhos (ou algo mais) ao vizinho do lado, ao jardineiro ou a outro espécimen do sexo oposto que não aquele que já tens em casa (vulgo "facadinha");
- etc, etc, etc...

... não desesperes! Junho vem aí e o Mundial também.

Tempo

Dos anos que correm rápido passando por mim a velocidades desvairadas apenas direi que é culpa minha: à força de tanto querer que à Segunda suceda a Sexta, assim acelero o tempo sempre desejoso de me fazer as vontades desde que sejam também as suas.

20 maio 2006

"I don't like architects!"

"5 Anos de tolerância
Os Srs. deputados vão votar mais uma vez sobre matérias que desconhecem. Mas falam como se lidassem com o problema todos os dias. É só ouvi-los falar…
Os arquitectos tiveram 5/6 anos de formação superior na qual empenharam a sua vida, os seus recursos e os do Estado. São hoje mais de 13 000 e acotovelam-se para arranjar emprego como porteiros em discotecas. Não podem concorrer com os preços, a irresponsabilidade e a incompetência dos outros técnicos a quem a lei 73/73 atribuiu "competências" para conceber edifícios. São "competências" que não lhes foram dadas nunca, num processo formativo estruturado e coerente, mas sim "emprestadas" por lei e numa altura em que não eram mais de 500 os arquitectos neste país.
Esses tais "outros técnicos" são responsáveis por 80% a 90% dos projectos entrados e licenciados nas câmaras. Fazem-nos a "preço de saldo" porque sabem por um lado a "desqualidade" do projecto que vendem e, por outro, a "desresponsabilidade" que colocam no processo. Não lhes custa muito, por isso cobrar o que cobram por um projecto decalcado.
Há quem goste deste estado de coisas. É uma atitude "esperta". Mas dos Srs. deputados seria de esperar uma atitude inteligente. Era suposto saberem que as decisões que se tomam de forma leviana e corporativa para proteger interesses instalados têm consequências na paisagem, e que já vai cheirando mal à nossa volta.
Mas não.
De que serve então ter uma lei de 1990 de adaptação da directiva europeia de 1985 que referia que esta área deve ser limitada a profissionais com formação superior em arquitectura? E a outra de 1998, que, definindo o estatuto dos arquitectos, lhes atribui em exclusivo esta mesma competência? E para que foi o "peditório nacional" de 2002 que exigia do governo acção nesta matéria? Quem é que ignorava este processo de fazer justiça e corrigir o que é imoral?
5 Anos de período de transição para que um direito, uma responsabilidade, uma obrigação do Estado perante o seu povo, a sua qualidade de vida, a sua paisagem, a sua estrutura urbana, enfim, perante a estatura reconhecida da sua arquitectura, se concretize. Mais 5 anos. Desde de 1990 que os arquitectos ganharam o número e o enquadramento legal necessário e suficiente para que justiça seja feita. As razões morais e de qualidade vêm já de trás, desde 1973. Desde 1973 a viver no reino da irresponsabilidade e a valorizar a mediocridade. Por isso não são 5, são já 16 anos e não é nada pouco! Com mais 5 chega a 21! E realmente é preciso ser-se maior e vacinado para aturar tamanha incompetência! E diz o egrégio bastonário que o governo (leia-se engenheiros) juntamente com o IMOPPI (leia-se engenheiros) já estão a regulamentar todo o processo de forma global e integrada… Será que se vão lembrar de chamar o seu a seu dono e decompor a direcção de obra em dois, criando um "Termo de responsabilidade pela arquitectura do projecto"? Sim, que se a formação é divergente e a actividade profissional é autónoma, então a direcção de obra terá que ser bicéfala. Mas também ninguém parece lembrar-se disso.
Mais 5 anos, francamente…!"
Tempo de antena do Antonymous. Porque desabafar faz bem.

18 maio 2006

18 de Maio 1917

(daqui)
Para a Mãe Gilda.
Agora sou eu quem diz, embora tarde demais, "obrigada pela dádiva".

16 maio 2006

73/73

"Decreto 73/73
Primeira iniciativa legislativa de cidadãos discutida a 18 Maio

A Assembleia da República vai discutir e votar, a 18 de Maio, a Iniciativa Legislativa de Cidadãos «Arquitectura: Um direito dos cidadãos, um acto próprio dos arquitectos», que pretende revogar parcialmente o Decreto 73/73.
O projecto de lei que visa a revogação parcial do Decreto 73/73 pretende que a elaboração, subscrição e apreciação de projectos de arquitectura sejam da exclusiva responsabilidade dos arquitectos que se encontram inscritos na respectiva ordem profissional.
Esta é a primeira iniciativa legislativa apresentada por cidadãos eleitores junto da Assembleia da República, de acordo com a legislação aprovada em 2003 para o efeito.
Actualmente, engenheiros civis, técnicos de engenharia e de minas, construtores civis diplomados e outros técnicos de engenharia podem subscrever projectos de arquitectura. A Inciativa Legislativa de Cidadãos pretende «devolver e reservar aos arquitectos as competências cujo exercício só a sua especial qualificação justifica e exige»".(continua)

14 maio 2006

11 maio 2006

11 de Maio... O meu pai faz anos

O mê pai faz anos hoje. Eu gosto muito do mê pai. E ele gosta muito de mim. Eu não lhe digo isto muitas vezes mas ele sabe que sim.
Dizem que as meninas são mais agarradas ao pai que à mãe. Por força de circunstâncias várias tal não veio a acontecer connosco, a cumplicidade foi toda para a mãe, que era quem estava presente.
O pai não. Quando eu tinha 4 ou 5 anos emigrou para o Canadá. Dos anos que lá passou guardo cartas e, principalmente, postais. Não destes agora, mas postais pequeninos. Não os vejo há muito tempo mas, a menos que a memória me atraiçoe, acho que são dezenas deles. São monumentos, paisagens, igrejas, gentes. Também mandava uns postais de aniversário na altura espantosos: consoante se viravam, assim se mexiam os patinhos ou gatinhos neles impressos, pareciam vivos e chegavam a ser assustadores.
Tinha uma brochura da embaixada canadiana que falava sobre o país das mil oportunidades e que lia e relia até quase a saber de cor. O Canadá passou a ser para mim o Paraíso.
Para o meu pai, nascido e criado numa aldeia, sem falar a língua e sozinho, presumo que não deve ter parecido assim. Como bom português, meteu mãos à obra e fez de tudo um pouco. Não sei muitas histórias que ele não é de falar muito, mas lembro-me de contar que trabalhara na limpeza de uma fábrica de chocolates e de como suspeitava que deixavam as caixas abertas nas secretárias num teste silencioso à honestidade dele e dos colegas. A certa altura saiu da cidade e foi para a construção do caminho-de-ferro. Passavam semanas na floresta quase virgem, afugentavam os ursos gulosos do barracão/despensa com gasolina e a única coisa que os ligava à civilização eram os quilómetros de linha que iam deitando para trás das costas. Um acidente com um vagão tirou-o dali para fora de helicóptero direito para o hospital. Guarda a recordação na forma de uma "entrada" de cabelo ligeiramente desproporcionada.
Quando regressou a Portugal encontrou uma filha que não conhecia. E vice-versa. Tentou compensar com passeios domingueiros e idas à praia. Aí sim, dentro de água não havia diferença entre nós, eu era uma "pata" igualzinha a ele, horas dentro de água até ficar com os dedos roxos. Hoje chamar-lhe-iam inconsciente mas com 9 ou 10 anos levava-me para o mar da Nazaré onde bebi mais água do que em qualquer outra praia. Aí aprendi com ele a furar ondas e também a aceitá-las, a deixar o corpo mole quando era enrolada e despejada na praia.
Fui crescendo sem grandes sobressaltos e sem lhe causar dores de cabeça de maior importância até o carteiro começar a parar amiúde em casa para deixar cartas atrás de cartas que vinham da Madeira.
Vi o meu pai chorar duas vezes por causa do mim: no largo da igreja aqui em frente, quando me acompanhou à Madeira da primeira vez e teve consciência de que eu ia ficar e quando me levou pela segunda vez ao aeroporto para vir embora. A minha mãe, a avó, tudo bem, mas o meu pai não chorava e essa recordação queimou-me durante muito tempo.
Agora, tal como a minha mãe, também ele tem a filha e os netos a crescer longe dele. Vamos compensando os dois mandando-lhes os miúdos durante as férias para que os estraguem com mimos, cada um à sua maneira. E assim se atenuam as saudades até à próxima partida.
É assim, pai.
Um beijinho e um xi-coração apertado.

09 maio 2006

9 de Maio... A minha mãe faz anos

A 'nha mãe faz anos hoje.
Eu gosto muito da 'nha mãe. E ela gosta muito de mim. Eu não lhe digo isto muitas vezes mas ela sabe que sim.
Hoje, como quase todos os dias, ela vai ligar-me e perguntar como estou, como estamos todos. É a aspirina dela para a saudade, para o facto da filha envelhecer e os netos crescerem longe dela.
E porque é dia de anos vai ser mais difícil desligar e vamos ficar com os olhos meio embaciados. E depois quando vier aqui, possivelmente vai mesmo borrar os olhos todos, não vais? Vai-me lavar essa cara, mulher!...
Por não me ser fácil falar de quem gosto, principalmente de quem comigo partilhou sangue e carne e cordão umbilical, estão ali em baixo coisas nossas, minhas e dela, algumas só dela, num falar por falar, bocadinho disto, bocadinho daquilo, numa manta de retalhos que fiz para nós duas.
Pega nessa ponta que eu pego nesta.
Um beijinho e um xi-coração apertado.

9 de Maio... De "quando fores velhinha"


"... e um dia, quando fores velhinha, ponho-te pólvora nos ouvidos e fazes PUUUUUM!"
Isto disse-te eu há muitos anos, furiosa não sei por que razão, era uma fedelha, e tu nunca mais esqueceste e passaste a contar a toda a gente, divertidíssima, o destino que a tua filha te reservava quando fosses velhinha.
Lixaste-me! Agora toda a gente sabe e se um dia me passar pela cabeça "limpar-te o sebo" o que me resta? Só se for as lagartas das couves! Não é justo.

9 de Maio... Das lagartas

Tu matas cobras nas calmas, ratos assim-assim, mas as lagartinhas em geral e aquelas amarelas e pretas que atacam as couves em particular, essas, deixam-te apavorada.
Um belo dia estava eu lá em cima em casa a fazer não sei o quê e ouvi uma voz irreconhecível de pavor a chamar-me baixinho lá em baixo no jardim... tão baixinho que quase nem te ouvia. Espreitei pela janela e lá estavas tu, transida, uma estátua branca como a cal, incapaz de se afastar do viçoso pé de couve cheio de lagartinhas vorazes. Lá fui eu arrastar-te para longe delas até ganhares cores de gente viva. Lagartas, mãe?! Pelo menos eu tenho medo de cobras e tubarões que são assim bichos de certa monta e perigosidade, agora lagartas?!

9 de Maio... Do Sporting

É Verde até à medula!
Observá-la a ver um jogo dos seus Leões é uma experiência única. Principalmente naquela parte em que se levanta do sofá e caminha em transe para o aparelho de televisão, de olhos arregalados. Acho que a intenção é dar uma ajudinha ao Ricardo ou um estaladão a um dos adversários.
Se os "outros" marcam e os nervos já chegaram ao ponto de rebuçado, vai-se embora e fecha-se no quarto... agarrada ao rádio. Leoa sofre!

9 de Maio... Das flores

Não sei o que ela faz, é jeito, prática, anos e anos a mudar vasos, energia positiva, sei lá... Só sei que as flores com ela ganham uma exuberância impressionante.
Só as vê de quinze em quinze dias mas quando ela chega, parecem galarós, todas impantes. Trata-as com desvelo e carinho mas, quando é preciso, pões os pontos nos iis como fez com as estrelícias.
Não me lembro se as levou da primeira vez que veio à Madeira ou se lhas deram, o que é certo é que, ao fim de um ou dois anos, o diabo da planta apresentava fartas folhas mas flores, nem vê-las! Farta de não ser correspondida, chegou-se um dia ao pé da estrelícia com a enxada e avisou-a:
- Tu, ou te despachas a dar flores, ou ponho-te as raízes ao sol!
Não sei se a planta percebeu o perigo, o que é certo é que desatou a dar flores e até hoje ainda não parou.

9 de Maio... Dos bolos

Deliciosos, os teus doces, todos. O bolo mármore, o arroz-doce, o bolo de maçã, as argolinhas, aquela coisa com maçã e pudim flan, a torta de laranja... ái a torta de laranja!
Com os outros podia acontecer, mas era raro. Agora com a danada da torta, parecia que funcionava na razão proporcionalmente inversa à necessidade da dita sair impecável.
Saía do forno, prometedora e com um perfume que se espalhava pela casa toda. Ao desenformar a coisa já começava a correr mal e então era a tentativa desesperada de a soltar, depois começava a sair aos pedaços e todo o doloroso processo terminava com o disparo pela porta fora do resto da torta, tabuleiro e tudo, num voo sem asas. Não valia a pena tentar lembrar-lhe que aquela massa deformada mas deliciosa podia muito bem ser comida à colherada. A fúria da cozinheira era implacável e quem ficava a ganhar eram os cachorros da vizinhança que se lambuzavam com a sobremesa inesperada.

9 de Maio... Da bilha de gás

Eu tinha realmente pedido para trazerem gás mas tinha esquecido de dizer onde deviam entregá-lo. Era uma miúda e nunca tal questão prática tinha passado pela minha cabeça. Agora a bilha estava ali em casa da minha avó, na parte de baixo da aldeia, e de certeza que não ia ganhar pernas para subir até à minha casa. A mãe estava furiosa, sem gás e a ter de carregar aquele pesadelo pela aldeia acima, eu chorava baba e ranho, aflita com a situação. E metemos mãos à bilha. A primeira etapa era uma subida puxada e dura até à capela. Entre arranques e paragens para recuperar o fôlego, quando lá chegámos já a minha mãe tinha deixado a zanga para trás. O problema agora era o riso. A nossa figura era tal, estávamos tão cansadas que por tudo e por nada desatávamos numa risada, perdíamos as forças e largávamos a bilha. E ainda faltava o melhor da festa: a segunda etapa da subida até ao topo da aldeia. Se subir aquela ladeira em condições normais era uma dor, então a carregar uma bilha de gás era um verdadeiro calvário. E a rir que nem colegiais idiotas por tudo e por nada também não ajudava. Mas chegámos a casa. Rebentadas, com as mãos vermelhas e inchadas, encharcadas em suor e às risadas como se tivéssemos assistido a uma comédia na primeira fila. Agora, quando raramente surge um stress uma uma situação do género, uma de nós dirá "Ficaste chateada? Olha, vai carregar uma bilha de gás!"

9 de Maio... Da educação

Péla-se por uma boa anedota! Por vezes toma nota em papéis para depois contar, tem sempre uma anedota nova. Se for "picante", melhor!
Desde miúda que as ouço, depois comecei a ter o meu próprio repertório e fontes e passei a contar-lhe também anedotas.
Quando eram mesmo reles, ela fazia um ar falsamente chocado:
- Ai que horror! Mas foi essa a educação que eu te dei?
Era a minha deixa. Por vezes respondia logo, outras vezes fazia-me desentendida até ela ficar impaciente e avançar com um "Então?". Aí, punha um ar afectado e fazia-lhe a vontade:
- Não! Era pior ainda, mas foi o que consegui absorver!

07 maio 2006

Bom dia

(daqui)

01 maio 2006

Fairy feet

"Had I the heavens' embroidered cloths,
Enwrought with golden and silver light,
The blue and the dim and the dark cloths
Of night and light and the half-light,
I would spread the cloths under your feet:
But I, being poor, have only my dreams;
I have spread my dreams under your feet,
Tread softly because you tread on my dreams"

W.B. Yeats

27 abril 2006

Happy Birthday

Happy birthday, my dear.... um beijo, um abraço apertado e o melhor do mundo só para ti: uma garrafinha de Absolut.

25 abril 2006

Os Vampiros

No céu cinzento
Sob o astro mudo
Batendo as asas
Pela noite calada
Vêm em bandos
Com pés veludo
Chupar o sangue
Fresco da manada

Se alguém se engana
Com seu ar sisudo
E lhes franqueia
As portas à chegada
Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada

A toda a parte
Chegam os vampiros
Poisam nos prédios
Poisam nas calçadas
Trazem no ventre
Despojos antigos
Mas nada os prende
Às vidas acabadas

São os mordomos
Do universo todo
Senhores à força
Mandadores sem lei
Enchem as tulhas
Bebem vinho novo
Dançam a ronda
No pinhal do rei

Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada

No chão do medo
Tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos
Na noite abafada
Jazem nos fossos
Vítimas dum credo
E não se esgota
O sangue da manada

Se alguém se engana
Com seu ar sisudo
E lhes franqueia
As portas à chegada
Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada

Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada

"Os Vampiros", Zeca Afonso

Esta foi a primeira canção do Zeca Afonso que ouvi por alturas do 25 de Abril, mais ano menos ano. Gostava mas achava-a estranha e sombria sem lhe perceber bem as palavras. Tantos anos depois mantém a actualidade e pertinência: os vampiros apenas ganham caras e métodos diferentes mas continuam por aí.

24 abril 2006

Grafologia

"A inclinação de sua letra mostra que você é uma pessoa introvertida e bastante inibida ao falar de si. A ligação de sua letra revela organização, raciocínio lógico e razoável capacidade de adaptação. A direção de sua letra indica controle, constância e organização, especialmente nas tarefas cotidianas. A pressão que usa ao escrever sinaliza estabilidade e equilíbrio. As áreas valorizadas na sua escrita destacam idealismo, erudição, preocupação com seu crescimento interior. A forma de sua letra demonstra firmeza, decisão, perseverança e agressividade."

Esta é a minha.
Esta é de quem a apanhar:
http://istoe.terra.com.br/istoedinamica/testes/grafologia/index.asp

(via "mana")

20 abril 2006

As palavras dos outros

Quando nada sai por falta de vontade ou de palavras, restam as palavras dos outros.
É um conto belíssimo e doce.
Enjoy

"Chirren" - Jacob Ross

19 abril 2006

Uma memória

Foi há 35 ou 40 anos que ela entrou na mercearia e perguntou:

"- Ó Maria Leal, tu tens cartas de luto?
- Não, prima.
Pausa.
- Então dá-me aí um bocado de queijo flamengo."

...e ainda hoje riem a bandeiras despregadas quando contam isto. E eu com elas.
Agora está aqui para que eu não me esqueça, que a memória é muito traiçoeira.

07 abril 2006

Páscoa Feliz



04 abril 2006

Espelho

(daqui)

Pára!
Fica assim:
à distância de um olhar, um passo, um abraço...
Olha-me bem.
Escolhe então:
se me contemplas,
se em mim mergulhas.

01 abril 2006

Cenas da vida conjugal

- Escreve.
- O quê?
- Qualquer coisa.
- "Qualquer coisa".
- Piadinha!
- Isto está mau. Ando seca.
- Trata-se já disso...
- Piadinha!
....
- Então?
- Então o quê? Não sai!
- Ou escreves ou vens p'ra cama...
- Espera.
(suspiro)
- Tenho fome.
- Taradão!
- Também... mas é da outra mesmo. Há bolachas?
- Não. Maçãs, iogurtes e dois Kit Kat Crunch.
- ... dos miúdos.
- Exacto!
- Hum...
- Eu não conto se tu não contares...
- Ok! Vou buscar.
...
- Acabei!
- Deixa ver...
...
- O quê?!... Vais postar isto?
- Se não gostas arranja um blog teu!
(passando a mão pela careca imaginária, com os olhos perdidos no vazio)
- The horror! The horror...

29 março 2006

O Moleskine

Uma santa alma tivera a peregrina ideia de lho oferecer numa festa de Natal da empresa. Lembrava-se da surpresa e mesmo do desagrado mal disfarçado quando abrira o embrulho e dera de caras com um livrito de capa negra e aspecto severo. Abrira-o à procura de título e história e deparara-se com folhas vazias amareladas à espera de escrita.
Perante o ar desconsolado dela, o colega apressara-se a explicar que aquele era o caderno de notas preferido por artistas e intelectuais para confiar estados de alma, desenhos, segredos, poemas, tudo! "É muito "in" ter um Moleskine, sabia? Achei que ia gostar."
Pois tinha achado mal e se a conhecesse minimamente saberia que não era de andar agarrada a caderninhos a despejar lá para dentro os seus segredos mais íntimos. Não tinha tempo nem pachorra, tinha-os guardados na cabeça e chegava. Se não os partilhava com os amigos de certeza que o não faria com um idiota de um caderno, por mais famoso e "in" que fosse. É que ainda por cima "o gajo" era convencido, logo na primeira página rezava assim:
"In case of loss, please return to:__________________________
As a reward: $_____________________"
Nem hesitou: colocou o nome, a morada do escritório e na linha destinada à recompensa escreveu "A queca da tua vida!"
Riu-se da piada, enfiou-o na mala e avançou para o bar que a noite ia ser longa e animada. E tão boa fora a noite que o Moleskine levara sumiço sem ela dar por nada. Tanto melhor, pensou, trastes inúteis tenho eu aos pontapés.
Alguns dias mais tarde recebia a visita de um homem que insistia ter algo que lhe pertencia. "Quanto mais não seja regala os olhos, destes não aparecem por aqui muitos!" dissera-lhe a secretária. Recebeu-o, curiosa. Quando a porta se abriu viu então o Moleskine entrar pelo gabinete dentro e ser colocado na secretária à sua frente. O homem observou-a por um momento, sentou-se na cadeira, olhou-a nos olhos e perguntou numa voz baixa, quase sussurrada: "A minha recompensa?"
Agora não se separa dele. Aliás, separa... mas só até alguém lho devolver de novo.
Continua vazio, à espera de escrita, e em vez da morada tem um telemóvel. A recompensa, essa, continua a ser a mesma.

21 março 2006

Outra "mana"

Mais uma com um Cantinho só seu. Já vem de Fevereiro e eu a leste do paraíso dela.
Está a nascer ainda mas os temas já prometem... Fico à espera dos contos para crianças e dos outros. Fico à espera dos relatos que ouvi durante tardes e noites quando mãe Gilda por cá andava em corpo e reunia a prole toda em seu redor.
Quero contos de África, dos passeios, dos animais, dos cheiros, de como fazias pão de esparguete e outras invenções culinárias e não só, quando sobravam balas mas tudo o mais escasseava e havia uma família a criar.
Para quem, como eu, nunca se viu em tais apertos, os teus relatos são autênticas aventuras.
Quero contos de fantasmas e espíritos em geral. Tens matéria-prima para dar e vender, livra-te de não me pores os cabelos em pé.
É claro que vão faltar os teus gestos largos, as mãos a esvoaçar e os olhos brilhantes de criança, mas não se pode ter tudo.
Bem-vinda, "mana"!

05 março 2006

25 fevereiro 2006

Ponto G

24 fevereiro 2006

Johari & Nohari

"A Janela de Johari é utilizada para melhorar a comunicação e as relações interpessoais através da consciencialização da importância de dar e receber feedback" utilizando, para o efeito, uma grelha com diversos traços de personalidade positivos que são escolhidos primeiro pelo "criador" da Janela e depois pelos amigos, conhecidos, etc.
A Janela de Nohari serve o mesmo propósito mas utilizando uma grelha com traços de personalidade negativos.
A única chatice nisto é que o pessoal apressa-se a fazer a Johari e ignora descaradamente a Nohari... e isso é batota!
As minhas Janelas estão ali ao lado esquerdo, podem ver como funciona e criar as vossas.

22 fevereiro 2006

A Batata Quente

A culpa é do Zig!
E agora que estamos esclarecidos, passo a enumerar 5 particularidades minhas.
Para terminar em beleza, vou passar a "batata quente" a 5 vítimas escolhidas a dedo.
Vejamos...

1- Obsessiva
Aplica-se a uma colecção de recortes sobre o IRA mantida durante anos, a revistas de música e, principalmente, à audição da mesma. A última obsessão (já a roçar a paranóia) foi "Grace" de Jeff Buckley ouvido quase todas as noites, durante 2 anos.

2- Falta de educação
Causa-me engulhos. Passar à frente nas filas, não cumprimentar, o esquecimento constante do "obrigada", do "com licença", do "desculpe", do "se faz favor". São insignificâncias, não são? Pois, mas são assim a modos que um grão de areia no sapato: não mata... mas incomoda muito.

3- Embalar
Embalei-me para adormecer até adulta. Depois de ter arranjado que me embalasse, perdi o hábito. Há uns tempos descobri que me embalo se estiver durante muito tempo de pé ao telefone.

4- Mousse de chocolate
Como-a com as costas da colher para durar mais.

5- Pontos negros
Salivo à vista de um ponto negro reluzente e altaneiro. Mais não digo, que não é assunto para os fracos de estômago.

As vítimas:

A Julgar pelas Aparências ...porque os amigos nos perdoam quase tudo, isto incluído.
Zona D ... porque as "manas" nos perdoam quase tudo, isto incluído.
Marakoka ... porque sim, pela boa disposição, porque gosto.
Garfiar ... porque se ele (ou um dos Outros) respondesse... SE!... ia ser um fartote!
The Galarzas ... porque são geniais e tarados e mesmo dementes, enfim, um gozo pegado e quando lerem o convite no email vão rir-se durante 1 hora ao fim da qual se viram uns para os outros e dizem... "Mas a gaja é doida!".
The end.

20 fevereiro 2006


(daqui)

..."Moi, je t'offrirai
Des perles de pluie
Venues de pays
Où il ne pleut pas"...


Jacques Brel, "Ne me quitte pas"

16 fevereiro 2006

16 de Fevereiro de 1995

O meu principezinho nasceu há 11 anos.

Apesar de ter descido à terra vindo de "um planeta que explodiu", tem-se aguentado bem. Apesar de frágil, tem uma força e clareza de espírito que o faz pairar acima de nós, adultos, que não percebemos como e por que escapou ele às nossas regras e espartilhos.
Por vezes evade-se e deixa-nos para recuperar forças e fôlego de tudo o que o rodeia que isto de ter a sensibilidade à flor da pele é por vezes muito doloroso. É nessas alturas que ele vai com os seus dinossáurios salpicados de King Kong, Harry Potter e Asterix e parte para mais uma batalha qualquer, talvez Bastogne.
E se ser um principezinho sonhador é uma carga de trabalhos, por outro lado atrai toda uma legião de "anjos" que diariamente lhe afofam as quedas e ajudam a manter os pés na terra.
Assim tem sido o meu principezinho, um desafio para quem com ele (con)vive, um abanão constante na nossa vida que tão depressa exaspera como maravilha.
E continua a ser, hoje e sempre, o meu presente caído dos céus.

15 fevereiro 2006

15 de Fevereiro de 1966

s... venha mais um.
o
n
a

a
t
n
e
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a
u
Q

13 fevereiro 2006

Corpos Celestes


(daqui)

Inteligência

"Um professor de filosofia entra na sala de aula, põe a cadeira em cima damesa e escreve no quadro:
"Provem-me, por escrito, que esta cadeira não existe."
Apressadamente, os alunos começam a escrever longas dissertações sobre o assunto. No entanto, um dos alunos escreve apenas duas palavras numa folha de papel e entrega-a ao professor...
Este, quando a recebe, não conteve um largo sorriso depois de ler: "Que cadeira?"
Ser inteligente é ter simplicidade para resolver questões!"

11 fevereiro 2006

"Cu-Cu"

"Na noite passada, fui convidado para uma reunião com "A MALTA".
Eu disse à minha mulher que estaria de volta pela meia-noite:
- "Prometo!".
Mas as horas passaram rápido, o sangue já escasseava no meio do álcool e estava já a dar a volta às ideias. Por volta de 3 da manhã, bêbado que nem um cacho, fui para casa.
Mal entrei e fechei a porta, o cuco no hall disparou e "cantou" 3 vezes. Rapidamente, percebendo que a minha mulher podia acordar, eu fiz "cu-cu" mais 9 vezes.
Fiquei realmente orgulhoso de mim mesmo por ter uma ideia tão brilhante e rápida, mesmo com uma bebedeira de caixão à cova, para evitar um possível conflito com ela.
Na manhã seguinte, a minha mulher perguntou a que horas eu tinha chegado.
Eu disse-lhe que pela meia-noite. Ela não pareceu nem um pouquinho desconfiada. Ufa! Daquela eu tinha escapado!
Então, ela disse:
- Nós precisamos de um novo cuco, amor...
Quando eu perguntei porquê, ela respondeu:
- Bom, esta noite o nosso relógio fez "cu-cu" 3 vezes e depois disse "foda-se!". Fez "cu-cu" mais 4 vezes, pigarreou, cantou mais 3 vezes, riu, cantou mais 2 vezes. Depois tropeçou no gato, disse "merda!" e peidou-se..."

09 fevereiro 2006

O Blog do 5º A


Depois de muito trabalho e carolice, nasceu hoje o blog dos meninos da Zona D.
São putos entre os 10/12 anos deliciados com a ideia de "darem a cara" no mundo da Net.
A turma dividiu-se em grupos temáticos e vão publicar os seus textos às quartas-feiras.
Isto de dar os primeiros passos no que quer que seja torna-se muito mais fácil quando ouvimos/lemos palavras de apoio e incentivo... espreitem, "linkem" e comentem que a garotada agradece!

O Blog da nossa turma

07 fevereiro 2006

O sexo e a saloia

"Um repórter fazia uma pesquisa sobre a sexualidade na mulher e decidiu entrevistar uma saloia.
- Então, Sra. Margarida, quantas vezes faz sexo por semana?
- Bem, eu acordo às 6H00 da manhã, vou-me lavar e tenho logo umas 3 horas de sexo. Depois o meu Manel acorda, dou-lhe o pequeno-almoço e tenho mais umas 3 horas de sexo. O meu Manel chega para almoçar, sirvo-lhe o almoço e tenho mais umas 3 horas de sexo. O meu Manel chega à noitinha, sirvo-lhe o jantar e depois tenho mais umas 3 horas de sexo!
- Mas espere aí: afinal de contas quantas vezes a Senhora faz sexo por dia??? O que você entende por "fazer sexo"?
- Olhe senhor, sexo é tudo aquilo que me fode: lavar a loiça, passar a roupa a ferro, fazer o almoço e o jantar, limpar a cozinha, etc, etc..."

Gosto desta anedota. É que depois de tanta coisa que nos "fode" a cabeça, quando chega a hora do sexo, a dita cabeça nem sempre tem pachorra.
Pode soar a chavão mas na maioria dos casos o dia de trabalho do homem acaba quando entra em casa. No caso da mulher acaba, geralmente, quando se deita.
Há excepções. Há homens que partilham não só as tarefas mas as responsabilidades. Não falo do pontual "olhem para mim, hoje apeteceu-me levantar a mesa! Agora deixa-me estender no sofá". Falo sim do homem que põe os putos a tomar banho e pendura a roupa a secar enquanto a mulher faz o jantar e mais meia dúzia de tarefas simultâneas. Não é uma questão de "deixa-me cá mostrar serviço hoje para ver se ela se cala". É uma questão de entreajuda e de respeito pelo outro, em que ambos saem a ganhar.
No final do dia e consoante o papel que escolheu, o homem irá ter na cama uma mulher azeda, cansada e "fodida" ou uma mulher contente, satisfeita, com disponibilidade mental e emocional para... exactamente, isso!
Portanto, e a menos que sejam masoquistas, acho bem que se mexam!

03 fevereiro 2006

Miguel Silva


(daqui)

Nasceu no Funchal, é repórter fotográfico do Público e vai expor no Teatro Baltazar Dias este fim-de-semana.
Errata..."Grayscale", dia 09 às 18h00.

02 fevereiro 2006

Amargo de boca

Não tenho andado bem. Todos têm o seu momento "down" e o meu veio e não se quer ir embora ando a perder a clareza de olhar não há vontade para nada não há paixão por nada até a música a minha eterna amante me deixa indiferente. Ao mesmo tempo todos os demónios cá dentro andam em convulsão afogam-me gritam-me aos ouvidos estão tão fartos de mim como eu deles mas não sabemos como nos livrarmos uns do outro. Os motivos são muitos não são para aqui chamados mas quando se está na mó de baixo qualquer ninharia assume proporções de gigante e serve para descer um degrau na escada que não se tem vontade alguma de subir.
Hoje tropecei por acaso numa dessas ninharias, a omissão. É diferente da mentira, mas não é melhor. Eu até compreendo, sabem-me frágil e querem poupar-me. Então não contam, não mencionam, o que eu não sei não me pode magoar. E quando confrontados com a suspeita (pois mesmo "down", o sexto sentido não abranda...), explicam tudo que a conversar é que a gente se entende, beijos e abraços, amigos como dantes mas com o meu pedido "Por favor não tornes a fazer isto, fala!" Mas parece que não me compreenderam o pedido pois a situação repetiu-se. Estou triste e amarga. Dói-me muito não sei bem o quê, a alma, o coração, o caraças...
Entretanto vamos racionalizar tudo e seguir em frente mas enquanto me lembrar, e se eu tenho memória de elefante, esta omissão repetida será uma pedra no sapato. E por um motivo tão banal. Que desperdício.

31 janeiro 2006

George "look at me, no wings" Bush

O homem cá de casa sonha que um dia acabarão por inventar um frango sem pele nem ossos.
À falta de frango temos este belo peru desarticulado acabado de chegar da Zona D.
Se o dito ficar entalado, usem o rato... Olha p'ra mim mãe, sem asas!

28 janeiro 2006

27 janeiro 2006

Momento ácido sulfúrico do dia...

O meu sonho, neste preciso momento, era pastar cabras no Masai Mara.
Mas não posso, tenho de ir a uma reunião.

26 janeiro 2006

Momento ácido sulfúrico do dia...

...to match my mood. Na falta de voodoo butter underpants e do cão do download que não arranjo de maneira nenhuma, ficam então as palavras do Artista.

"Bobby Brown",

Hey there, people, I'm Bobby Brown
They say I'm the cutest boy in town
My car is fast, my teeth is shiney
I tell all the girls they can kiss my heinie
Here I am at a famous school
I'm dressin' sharp 'n' I'mactin' cool
I got a cheerleader here wants to help with my paper
Let her do all the work 'n' maybe later I'll rape her

Oh God I am the American dream
I do not think I'm too extreme
An' I'm a handsome sonofabitch
I'm gonna get a good job 'n' be real rich

(get a good
get a good
get a good
get a good job)

Women's Liberation
Came creepin' across the nation
I tell you people I was not ready
When I fucked this dyke by the name of Freddie
She made a little speech then,
Aw, she tried to make me say "when"
She had my balls in a vice, but she left the dick
I guess it's still hooked on, but now it shoots too quick

Oh God I am the American dream
But now I smell like Vaseline
An' I'm a miserable sonofabitch
Am I a boy or a lady...I don't know which

(I wonder wonder
wonder wonder)

So I went out 'n' bought me a leisure suit
I jingle my change, but I'm still kinda cute
Got a job doin' radio promo
An' none of the jocks can even tell I'm a homo
Eventually me 'n' a friend
Sorta drifted along into S&M
I can take about an hour on the tower of power'
Long as I gets a little golden shower

Oh God I am the American dream
With a spindle up my butt till it makes me scream
An' I'll do anything to get a head
I lay awake nights sayin', "Thank you, Fred!"
Oh God, oh God, I'm so fantastic!
Thanks to Freddie, I'm a sexual spastic
And my name is Bobby Brown
Watch me now, I'm goin down,
And my name is Bobby Brown
Watch me now, I'm goin down,
And my name is Bobby Brown
Watch me now, I'm goin down....

25 janeiro 2006

As visitas

As visitas a esta casa chegam de todos os cantos do mundo, por alguma coisa agora lhe chamam "Aldeia".
Também chegam pelos motivos mais inesperados: "ponta pariu ganga" e "vestuário habitual dos madeirenses" foram duas buscas que aqui trouxeram gente. Quanto à primeira, gabo-lhe o bom gosto e espero que o parto tenha sido rápido e indolor. Quanto ao "Vestuário..." e falando por mim, uso uma folha de bananeira de segunda a sexta e no fim de semana não dispenso a confortável tri-parra. Mas isto sou eu, claro.
Hoje tive a surpresa de ter a visita de um atelier de arquitectura italiano, imagine-se! Pois foi... Contudo, é claro que veio aqui parar por engano.
Assim, aproveito para indicar algumas "casas" onde se mostra / escreve sobre arquitectura, estão aqui ao lado esquerdo e são "Os (In)separáveis" e "Sobre(voando) o Território".
Fica em muito melhores mãos que as minhas, garanto.

"This is what a Honda feels like..."

... enjoy the ride.

20 janeiro 2006

Loja do Cidadão

Hoje fui à Loja do Cidadão pouco antes das 19h00.
À minha frente entrou um homem dos seus oitenta e muitos, andar arrastado, homem de campo sem dúvida, tendo em conta as botas e o chapéu que já tinha visto melhores dias enfiado na cabeça. Tinha um ar deslocado como se fosse a primeira vez que entrava ali e vi que se dirigia à recepção. Avancei para o meu atendimento, lá bem no fundo, e passados uns 10 minutos vejo o velhote avançar para um balcão do outro lado do corredor em amena cavaqueira com uma recepcionista que lhe acompanhava o passo vagaroso e já com os papéis dele nas mãos.
Como havia alguém a ser atendido, ela aguardou e foi explicando como se tirava a senha. Quando chegou a vez dele, puxou-lhe a cadeira para se sentar, virou-se para a funcionária, entregou os papéis, explicou-lhe o assunto e, por fim, virou-se para ele e disse-lhe algo do género "...esta senhora vai tratar de tudo..." ou assim. Despediu-se, ele levantou-se e apertou-lhe a mão evidentemente agradecido.
Enquanto voltava a sentar-se, a recepcionista fez um sinal discreto a um outro funcionário por detrás do balcão e apontou para o velhote e para a saída. Ele percebeu e fez um sinal com a cabeça. Que sim, que o acompanharia até à porta.
Quem me conhece, sabe o bem que digo desta Loja do Cidadão. Não sei como funcionam as outras, mas esta "enche-me as medidas". Para além da vantagem evidente de se ter uma série de serviços ali todos à mão, é o atendimento que me deixa espantada!
Nas poucas vezes que precisei de entrar em repartições, vi de tudo: funcionários a falar ao telefone ou com o colega ignorando olimpicamente quem está do outro lado do balcão, a atender sem um simples "bom dia" que a boa educação pede, com um ar de perfeito enfado e sem qualquer ponta de boa vontade e predisposição para ajudar os utentes. E a situação piorava quando apanhavam pela frente um destes velhotes ou alguém com ar mais humilde. Acredito que existam bons profissionais mas devo ter tido azar.
Daí o meu espanto ao assistir à cena de hoje. E não teve nada de especial, foi um simples caso de "tu precisas de ajuda e eu estou aqui para ajudar... mas também para ser sensível à tua condição e para respeitá-la, sem paternalismos de qualquer espécie".
Há momentos que fazem um dia valer a pena e este foi um deles.

Blending in stinks

(via email)

16 janeiro 2006

Lista dos "Chamava-te Um Figo" de 2005


Indecentemente fanado à São, esta é a lista da People Magazine dos
A foto corresponde ao 4º lugar deles, 1º meu. Bom gosto é assim...
É impressão minha ou está calor aqui ?!

15 janeiro 2006

Um sábado perfeito...

...é levantar tarde, tomar o pequeno-almoço de torradas de pão-de-casa no "Figos" do Caniço, voltar a casa, fazer máquinas de roupa, fazer osso buco para o almoço e puré de favas para o jantar e avançar para a selva que é o jardim (i.e. arrancar a floresta de plantas daninhas, escavunchar a terra e catar as centenas de pedras e pedregulhos pós-obras).
À noite, ver dois episódios seguidos de "House" e jogar Risco durante 4 horas (!?). Foi uma luta renhida durante a qual a História se repetiu: o fedelho mais novo deu-me uma tosa tal que me senti em plena Batalha de S. Mamede.
Ranhoso, ficas sem chocolates durante uma semana!

12 janeiro 2006

Direito de resposta

Para o comentador "anónimo" do post anterior, nas palavras dos muy amados e mesmo venerados Monty Python:

"Sit on my face, and tell me that you love me.
I'll sit on your face and tell you I love you, too.
I love to hear you moralize,
When I'm between your thighs;
You blow me away!

Sit on my face and let my lips embrace you.
I'll sit on your face and let my love be truly.
Life can be fine if we both sixty-nine,
And we'll sit on our faces in all sorts of places and play,
'Till we're blown away!"

10 janeiro 2006

When Love Speaks I

Our revels now are ended. These our actors,
As I foretold you, were all spirits and
Are melted into air, into thin air:
And, like the baseless fabric of this vision,
The cloud-capp'd towers, the gorgeous palaces,
The solemn temples, the great globe itself,
Yea, all which it inherit, shall dissolve
And, like this insubstantial pageant faded,
Leave not a rack behind. We are such stuff
As dreams are made on, and our little life
Is rounded with a sleep.

Joseph Fiennes (Prospero)
William Shakespeare, The Tempest, Act IV, Scene I.
in "When Love Speaks" (RADA)

08 janeiro 2006

O meu banner


Foi feito pela Jacky, claro, quem mais tem paciência para mimar o pessoal desta maneira?
Está lindo, Jacky, obrigada!

05 janeiro 2006

LeTroca

Joguinho recebido hoje por pombo-correio electrónico:

LeTroca

É viciante e ainda só joguei um cadinho de nada mas tenho de ir lavar a loiça e coser as peúgas e passar roupa a ferro e fazer um filho e escrever um livro.
Amanhã planto uma árvore que hoje estou de rastos.
Pensando bem, planto dois pés de couve biológicos que ali estão há meses e dão mais jeito para o caldo verde.
...
...
...
... Tenho que parar de fumar isto.

04 janeiro 2006

Alguns retratos de 2005

Como sempre, chegou por email.
Não sei se são as melhores mas são no mínimo fantásticas umas, lindíssimas outras, muito dolorosas algumas. Comparada com a maioria, esta é quase vulgar. Chama-se "Bald solidarity" e é a minha preferida.