18 outubro 2006

De olhos em bico


Em jeito de agradecimento ao rapaz do post ali em baixo.
"Que não consigo ver, que é difícil", patati patata... "poizé" filho, tudo o que é bom dá trabalho.
Põe os olhos em bico que vais ver que vale a pena.
(fanado à Sãozinha, abençoada seja!)

16 outubro 2006

As palavras dos outros

Hoje as palavras são do homem da casa, muito sensível a estas coisas da língua.
Então boa semana!
"Gosto do Brasil. Eles sabem usar a língua.
Lá dizem “me come!”, baixinho, quase gemendo. Cá diz-se “fode-me!”. O que é, obviamente, muito diferente (e, ainda assim, é muito raro). A boçalidade é muito mais evidente. É campestre. É coisa de ovelhas. A nossa língua é mais entaramelada, tem que soltar a língua como no Brasil.
“Chupa no meu pau” não é “faz-me uma mamada”. Há aqui qualquer coisa de camionista, em evolução desde a fase pastoril, nos montes Hermínios. Gente bruta, celta-e-bera, pouco dada ao contemplativo…
“Ora vira pra cá a melancia”, não pode! “Me chega essa bundinha”… é muito melhor! E mesmo musical...
Claro que “bate-me uma punheta” (reparem: nhê-ta, isso existe?) não tem comparação com “cê quer me passar o carrinho de mão?”. Muito mais descritivo…
Já “xoxota” não é tão bom, mas ainda assim é muito melhor que "rata"…
E o nome do bicho: “pica”, “pau”, interessante. Muito mais tesão do que “piça” (parece mole) ou “pichota”, valha-me deus!
Mas tudo bem: feios porcos e maus. Nunca tão maus como os espanhóis que lhe chamam “polla”.
Ai o caralho!"

13 outubro 2006

Alma leve

Ergue a cabeça, braços caídos atrás das costas, estende o peito e
avança!
Um, dois, três, quatro,
roda sobre ti mesma em pequenos passos
Um, dois, três, quatro,
pára!
Pose... perna esquerda flectida, a direita afastada, mãos nas ancas, cabeça voltada em jeito de desafio e
fica!

Aproxima agora a perna, lenta, preguiçosa,
tocam-se os pés e logo o direito se afasta, desenha um círculo e
pára!

Um, dois, três, quatro,
dois passos em frente e
pára!
Pose... perna esquerda flectida, a direita afastada, mãos nas ancas, cabeça voltada em jeito de desafio e
fica!
Aproxima agora a perna, lenta, preguiçosa,
tocam-se os pés e logo o direito se afasta, desenha um círculo e
pára!
Mão direita na anca, lança o braço esquerdo, em pose lânguida
acompanha com a perna, dobra ligeiramente o joelho, insiste e
retoma!
Lança agora o braço direito e deixa-o ficar
gira lentamente até à mão, lá longe
pousa o queixo
completa a roda
desliza as costas da mão do queixo pela face até à cabeça
desce pela outra face já palma da mão
troca as pernas e
vira!
Braços flectidos atrás das costas
palmas das mãos viradas para o solo
cabeça erguida em jeito de desafio e
pára!
... recomeça...

09 outubro 2006

06 outubro 2006

À espera do "House",

que nunca mais começa, devo dizer que o ponto alto do dia foi o café beberricado há bocado na esplanadinha do Figos enquanto o Tomás treinava as vogais em versão arroto.
O "e" está perfeito, o "i" e o "u" ainda estão fraquinhos mas mais uns dias e ficam impecáveis. Tão prendado, este meu filho!

05 outubro 2006

Recta final

(via email da Jacky)

Esta foto da Jacky veio mesmo a propósito, é assim que me sinto ultimamente. Presa entre vários fogos e a ficar rapidamente sem água na mangueira.
Quem me conhece um bocadinho sabe que a partir de Outubro entro em fase descendente até ao Natal. É assim como que a derradeira espremidinha da laranja para tirar o último pingo de sumo.
Não é melancolia outonal, o Outono é a minha estação do ano. É mais um enjoo, um cansaço de tudo e de todos e, principalmente, de mim. Fico hipersensível às situações mais estúpidas e comezinhas, tudo ganha importâncias desmesuradas, o vermelho é mais vermelho e o preto é azeviche como se tivesse tomado alguma coisa para rir.
Claro que o volume de trabalho inerente à época festiva não ajuda nada. É a altura por excelência do "tudo-começado-e-nada-decentemente-acabado-porque-agora-há-esta-prioridade" o que me deixa de rastos. É quando sonho com dias de 48 horas e caçadeiras de canos serrados. Não é culpa de ninguém: todos passam pelo mesmo que eu, todos sem excepção estão a abarrotar de trabalho... não têm é a minha paranóia.
Com 40 aninhos em cima já devia ter resolvido esta "pedra no sapato". Afinal ficar agoniada com a aproximação do Natal é muito desagradável, politicamente incorrecto e fica mesmo mal quando se é mãe de dois putos que ainda acreditam no gorducho das barbas brancas. Acho eu...

02 outubro 2006

Meu gato

(via email)
"Have I told you lately that I love you?"

30 setembro 2006

Dançar

(daqui)

E embora os pés sejam de chumbo, a minha alma voa.

28 setembro 2006

Pela Defesa dos Direitos Individuais e Adquiridos

Põe uma pessoa uma "filha" no mundo para depois a mesma mais tarde lhe negar uma reles bica!
Uáimãecuiniervos!

PS... agora é que o link ali em cima está correcto, c'azelha!

25 setembro 2006

A vírgula

Onde colocarias a vírgula na frase seguinte?

"Se o homem soubesse o valor que tem a mulher andaria de rastos à sua procura."

Curiosamente, a resposta varia consoante o sexo:
- as mulheres geralmente colocam a vírgula após o substantivo "mulher";
- os homens colocam sempre a vírgula após a forma verbal "tem".

(via email)

23 setembro 2006

Homens

Jean Reno

18 setembro 2006

Adeus férias

Começo a trabalhar dentro de 5 horas.
Alguém quer aproveitar e arrancar-me um dente a sangue-frio?
Então... boa semana (suspiro)

14 setembro 2006

Fortaleza, 31 Agosto / 07 Setembro 2006









Último Pau de Arara, Luiz Gonzaga

"A vida aqui só é ruim quando não chove no chão

mas se chover dá de tudo fartura tem de montão
tomara que chova logo tomara meu deus tomara
só deixo o meu cariri no último pau-de-arara (BIS)
Enquanto a minha vaquinha tiver o couro e o osso
e puder com o chocalho pendurado no pescoço
eu vou ficando por aqui que deus do céu me ajude
quem sai da terra natal em outros cantos não para
só deixo o meu cariri no último pau-de-arara (BIS)"

adenda...
"só deixo o meu Ceará no último pau-de-arara
só deixo o meu Ceará quando a cachaça acabar"

31 agosto 2006

As palavras dos outros

... mais precisamente as palavras do homem da casa.
Ouvi esta história uma e outra vez magistralmente contada por ele, com uma riqueza de pormenores que me levavam até 1973.
Vai ser lida n' "A História Devida" no dia 8 de Setembro.
A despedida

Era a noite de primeira oitava de 1973, tinha eu 10 anos.
Os pais tinham combinado com os tios e o avô que, passada a consoada na casa deles, o jantar da primeira oitava seria na nossa casa.
Vivíamos com a avó paterna, mulher rural de ideias fortes e vontade férrea. A austeridade da avó Ricarda lia-se-lhe no nome e nas rugas do rosto. Não a conheci em vida do avô Ferreira e isso poderá ter feito a diferença: a morte do companheiro duma vida e a partida dos cinco filhos para o Brasil sulcaram-lhe na cara os vincos que sempre lhe conheci.
O tio Jaime vivia na Pena, na casa citadina do avô Leonel, o patriarca. O avô era maiúsculo na estatura, na pose e na atitude. Era o nosso farol. Também do tio Jaime, como seria normal, mas até do pai. "Benquisto industrial", feitor dos condes Torre Bela e homem insigne do Arco da Calheta e do concelho onde se exilou. O avô era também já viúvo e passava alguns dias efémeros no Funchal, o ano inteiro era no Arco, com a sua/nossa fiel Zulmira. Fiel das sopas, dos cheiros, do jardim do tanque dos peixes e das semilhas a grelar na loja. Os outros irmãos da mãe não estavam cá. Na ilha, quem não está, não é. Sente-se mais a ausência. É uma meia-morte. Às vezes chegavam, vinham do ultramar. Estavam vivos, afinal.
Mas mesmo quando estavam todos, o pai e o tio Jaime sempre se ligaram mais. As gargalhadas eram gémeas, encaixavam-se uma na outra. As anedotas eram desfiadas ao desafio…
O jantar tinha sido o delicioso pastelão de bacalhau ou a carne assada especial da mãe. Jogavam agora ao cassino com o avô e os meus dois irmãos. A mãe, a tia e a Zulmira fariam o proverbial croché. A minha prima e eu éramos espectadores atentos de toda a cena.
A avó já tinha subido, não se sentia confortável no papel de anfitriã, de bom grado deixava esse papel à nora. Não socializava, não compreendia nem via naqueles serões grande valor, e "amanhã há trabalho, cedo, na fazenda". Beberricavam eles os digestivos, fumavam algum charuto ou os "DuMaurier" do pai para as ocasiões e por entre esgares de satisfação ou desgosto por cada "mão" de cartas que saía, contavam-se anedotas ou comentavam-se notícias. O pai, militar de carreira, contava os 3 meses para passar à reserva e às paciências sem saber que estávamos à beira da revolução…
E o serão assim se esgotou. Despediram-se os convivas, os abraços e beijinhos, os casacos vestidos, "agasalhem-se, a noite está fresca". A mãe beijou o tio e o avô, "boa noite!".
Entraram naquele carro preto e arredondado. Era um Peugeot 403. O banco frontal era corrido e cheirava muito a cabedal. As portas batiam com um estrondo metálico. O tio fez descair aquela banheira de 2 toneladas e afastou-a da parede para o avô entrar. Gemeram todas as dobradiças e os calços de travão, a porta bateu novamente e lá foram. Acenámos, o cheiro e o fumo do gasóleo desvaneceram-se e as luzes vermelhas dos farolins traseiros desapareceram na esquina da venda.
Voltámos para dentro. A mãe arrumava a sala, o pai fazia uma última paciência. Desligada a televisão, subi as escadas de madeira pé ante pé, para não acordar a avó. "Boa noite, avó", baixinho, não fosse estar acordada e aperceber-se da falta de respeito. Cheguei ao quarto e sentei-me na borda da cama a desamarrar os sapatos…
Havia no quarto uma penteadeira de estilo moderno, em mogno escuro com remates e acessórios em Art Déco e puxadores em vidro esverdeado. O exótico do conjunto era o seu enorme espelho circular, excêntrico, sem aros ou molduras, deveria ter aí um metro e vinte de diâmetro.
Disseram depois que tinham chegado a casa, que o tio tinha parado o enorme Peugeot no declive da Pena; deixou sair o avô, a tia, a prima e a Zulmira e encostou as 2 toneladas de ferro milimetricamente no seu lugar. Saiu do carro, bateu a estrondosa porta, o casaco balançou, a chave caiu-lhe da mão e o corpo pesado do meu tio tombou estatelado no alcatrão. Tinha tido o seu 3.º ataque cardíaco. Morreu ali, passavam minutos da meia-noite.
À mesma hora, no meu quarto, eu desamarrava os sapatos. Com um estoiro, o espelho da penteadeira estalou e abriu-se em dois de cima a baixo.
Só mais tarde percebi que o espírito brincalhão do tio Jaime tinha vindo, com o estardalhaço do costume, pregar a sua última partida.

25 agosto 2006

Plutão

Ok, é minúsculo, fica para lá do sol-posto onde judas perdeu as calças, parece um gelado daqueles de gelo com uma pepita de chocolate como prémio e, para o arrumar de vez, a órbita dele "tropeça" com a de Neptuno.
Mas daí a retirarem-lhe o estatuto de planeta e passarem a chamar-lhe anão? Quem de direito terá as suas razões científicas. Eu não e estou habituada a ter 9 planetas, Plutão até era dos fáceis de lembrar e tudo, não gostei. Pudesse ele falar e aposto que remataria com um "anão, sim, mas com um grande par de tomates!"
(foto daqui)

21 agosto 2006

20 agosto 2006

As palavras dos outros

"E o que sobressai também, para mim, do Confissões de uma Máscara, é que quando um escritor aborda profundamente a verdade sobre si próprio, sem procura de absolvição ou redenção, estabelece um exemplo para a arte, é um acto maior e mais puro do que qualquer outro, mesmo que o seu eu seja contraditório, tumultuoso, cobarde, ou apenas outra máscara, outra ilusão, que ele próprio criou para si como se fora a verdade."... (continua)

Zigzagueando pela blogosfera encontrei este texto sobre um herói da minha juventude e, principalmente, este parágrafo. É um alívio ler assim de uma forma tão clara e simples as palavras que sacolejam na minha cabeça e que nunca de lá saem por falta de jeito e articulação.

17 agosto 2006

Estrada

img_7450-vinhminh-field-p[1] (daqui)

Meter-se à estrada de mãos nuas e olhos de criança. Não olhar para trás, avançar um passo de cada vez sem vacilar, e fazer da viagem o destino final.

15 agosto 2006

3ª Edição do Almoço dos Homens

A ideia é simples: depois de cozinhar para eles e ouvir as críticas mais ou menos construtivas, chegou-se à conclusão que nada como calçar os sapatos alheios e meter mãos aos tachos e panelas para verem "como elas mordem".
Vamos na 3ª Edição do Almoço dos Homens que aconteceu no dia 13 e acho que só hoje é que estou recuperada que isto de abrir com "Latin Connection", seguir para vinhos, "Tequila Sunrise" e caipirinha à 1 da manhã tem muito que se lhe diga.
Quero mais! Dia 24 de Setembro está bom para vocês?!

13 agosto 2006

Motherless

De novo de malas aviadas para os avós. Até 30 de Agosto vamos por etapas.
Primeiro estranha-se o silêncio.
Depois começa a saber bem não ter de mandar tomar banho, não apanhar "peças" pela casa fora, esparramar-se no sofá sem grandes preocupações de comida ou de roupas ou de orelhas lavadas ou arrotos inapropriados à mesa.
Depois começa a ser estranho não ter nada do que atrás se disse.
Depois começa-se a ouvir vozes iguais nas lojas e a olhar para o banco de trás do carro e a passar nos quartos sempre escuros e estranhamente arrumados.
Depois começa a custar o silêncio e a contar-se os dias para o dia 30.
Aí esfregamo-nos neles e cheiramo-los de novo como se fosse a primeira vez e ouvimos as histórias e aventuras de férias.
Os nossos bichinhos.

08 agosto 2006

Fidel e os UruBush


by Mich.

Até parece que estou a ver o brilhozinho nos olhos enquanto "urubushava". Logo ele que não perde uma para "urubushar" sem dó nem piedade.
Gråces beacôp, Mich!

06 agosto 2006

Fidel, o Tio e os urubus


by Antonymous, que não resiste a um desafio. Lambeijo. Mais alguém?

05 agosto 2006

Da falta de jeito para o traço

Não haverá por aí uma alminha com queda para o desenho que me faça um que inclua Fidel, urubus e o Tio americano? A ideia não prima pela subtileza mas é que está mesmo, mesmo a pedir qualquer coisinha do género... Logo não sou eu prendada em tais artes.

29 julho 2006

Ide, senhora, ide...

Andei à procura por ali e por aqui mas não cheguei a nenhuma conclusão quanto às razões, assim preto no branco, trigo limpo farinha amparo, embora "tortura" seja uma razão perfeitamente válida.
O nosso país pode efectivamente ser uma "pain in the butt" principalmente para as almas sensíveis e para quem vive com salários de merda e chega ao fim do mês a comer comida enlatada para cão, nutritiva, sem dúvida, mas é para cão, percebido?
Que se vão embora os génios, ái que tristeza, ái jesus! E os que cá ficam? Aqueles a quem ninguém deu medalhas nem subsídios e continuam a fazer a sua arte conforme podem e sabem? E os que estão para nascer?
Quem não está bem muda-se, haja vontade e dinheiro e à senhora nem uma nem o outro faltam. A porta do aeroporto é serventia da "casa", faça favor...

(daqui)

26 julho 2006

Djoyeus Aniversaire, Mich!

Et bien, parabéns Mich, qu’on ne fait 50 années qu’une fois dans la vie.
J'ai essayé de trouver les mots de joyeux anniversaire en Wallons mais "nada" !
"Tá bem, tá bem" je n’ai pas de
moules avec des frites ni les Leonidas, ni la potée aux carottes ni le coelho luso-belga bien mijoté mais j'ai mis Brel pour toi, pas mal!
Beijinhos

25 julho 2006

25 de Julho de 2006


Bem-vindo, Martim!

21 julho 2006

Felíz día del Amigo!

(email)
Pudera! Com esse feitiozinho de merda só se for algum israelita...

17 julho 2006

Absolute Marilyn

(daqui)

O "Absolute" foi o vencedor do concurso internacional lançado para a renovação da cidade de Mississauga, nos arredores de Toronto. Da autoria do atelier MAD (Pequim), o projecto consiste numa sensual e curvilínea torre de 50 andares de betão e vidro a ser construída até 2010 e já conhecida por "Marilyn Monroe". "Aos potenciais interessados num apartamento deste condomínio põe-se agora o problema não de preço, mas de localização: perna, peito ou coxas?"

PS: entretanto o sucesso de vendas foi tal que já está na calha um "Absolute World 2".

11 julho 2006

Zizou e o pica-miolos

(daqui)

Custou-me muito a cabeçada do Zidane.
Porque gosto do homem, do jogador, daquela postura (aparentemente) impenetrável e impermeável a provocações baratas. Um senhor, é o que ele é.
Alguns segundos bastaram para resumir uma carreira gloriosa a uma mancha, uma atitude impensada, a quente, um jacto de raiva descarregado no peito de Materazzi.
Não há desculpa. É um profissional, conhece os adversários, sabe-lhes as manhas, devia saber afastar-se a tempo. Também é humano, mas isso não vem ao caso nem é tido em conta, estilo "padre não tem pila". É um ponto de vista tão válido como qualquer outro.
Gostava de saber o que terá dito o pica-miolos italiano para toldar o raciocínio de Zizou. É um pormenor, mas gostava. E já que era para perder a cabeça, então perdia em estilo: deixava-lhe uma recordação para o resto da vida e avançava-lhe com um biqueiro nos tomates.
Era o que eu faria, mas eu sou gaja e não bato bem da bola.

08 julho 2006

08 de Julho de 1997



Parabéns, meu amor...

05 julho 2006

Salope!











Gajos, vocês foram fantásticos!
Contrariamente ao que é habitual ver no nosso futebol, deram sempre o litro até ao fim.
Talvez por isso tenha pena mas não esteja triste. Transfiguraram-se e transfiguraram-nos... soa pomposo como a merda, mas é assim.

(daqui)


02 julho 2006

O voo do Leão

(daqui)
Tens razão Teresa, estava a ser muito injusta.
Aqui está o nosso menino a provar que os Leões. além de garras, também voam.

01 julho 2006

30 junho 2006

7º Funchal Jazz Festival

JARDINS QUINTA MAGNÓLIA
6 - 7 - 8 de Julho 2006
Programação

6 de Julho – 21h30
JOANA MACHADO
PAQUITO D’RIVERA QUINTET


7 de Julho – 21h30
IVAN LINS GROUP
LONNIE BROOKS BLUES BAND

8 de Julho – 21h30
LAÏKA FATIEN
McCOY TYNER SEPTET

the story of Impulse! Records

ACTIVIDADES PARALELAS
Irish Pub (Crowne Plaza Hotel) - 6, 7 e 8 Julho - 23h30
*LISMAD CONNECTION 06
Jardins Quinta Magnólia - 6, 7 e 8 Julho - 21h / 24H00
*GRANDE FEIRA DO DISCO JAZZ & BLUES


cadeiras 10,00 euros
peão 7,50 euros
50% desconto para estudantes e 3ª idade


"Vai-se?
Vai-se, compra os bilhetes.
E os putos?
Logo se vê quem vai ter o privilégio de os aguentar até à 1 da manhã.
Hum...
Em casos tais ficam para lá a rebolar-se na relva e a ficar insuportáveis by the minute.
Vai ser melhor levar cordas e fita adesiva.
Isso! E então... vai-se?
Vai-se!"

29 junho 2006

Oooops!


(via email)

24 junho 2006

"Qual é o jogador português que mais titila as meninas?"

Numa altura em que anda toda a gente agarrada pela(s) bola(s), a Gotinha lançou um mui oportuno inquérito cujo título aparece ali em cima. Eu já votei.
Cada menina só tem de carregar no link ali em baixo e votar uma vez dando o nome de dois jogadores titilantes (não sei, esta palavra caíu-me no goto!). O prazo termina na segunda-feira, 26.
Assim sendo...


(PS: mãe, se não gostas, vai lá e escolhe os teus, olha que história!)

21 junho 2006

21.06.2006

(daqui)

Tal como dizes, hoje foi um bom dia: começou o Verão, comemos 2 pratos de chilli, e acabaram 3 meses de nó na garganta.
Tudo está bem quando acaba bem.

Universal 2006





(via email)

18 junho 2006

Uma Turma

(daqui)

Extracto aproximado do diálogo de hoje, pelas 12h00, enquanto se preparavam molemente para o jogo de futebol "casados e solteiros":
compadre: ... e nem devia estar aqui, deitei-me às 4 da manhã. Fui jantar com uma turma...
antonymous: (de olho guloso arregalado) Com a Uma Thurman?!?!
compadre: não! Com uma turma!
antonymous: (desapontado) ah...
Resultado do jogo: 7-6
Melhor jogador em campo: a rotweiller Nikas

15 junho 2006

Assertividade

O Não custava-lhe. Era assim como uma unha encravada, um arrancar de dentes sem anestesia, um copo de fel. Quando parecia querer subir-lhe aos lábios logo todos os anticorpos se mobilizavam para fazer crescer aquele nó na garganta, provocar aquela secura de boca que o remetia de novo ao canto escuro de onde nunca conseguia sair.
O Sim, por sua vez, era uma puta doida que lhe saía boca fora por dá cá aquela palha. Tornava a vida fácil aos outros e a dela num beco sem saída, num inferno em vida, esgotando-a de tanto se oferecer.
E foi assim, esgotada e já sem crédito de si mesma que um belo dia decidiu que assertividade não seria mais palavra vã e que do Não faria a sua bandeira. E tão orgulhosa ia da sua recém-descoberta coragem que só se apercebeu do assalto já a arma estava para ela apontada. E quando lhe exigiram a carteira, abriu bem os olhos e disse, pela primeira vez, "Não!".
Segundos depois caía no chão, os olhos arregalados, espantados ainda com o impacto da nova palavra. Da boca saía-lhe agora o Sim aos borbotões, expulso para sempre do seu vocabulário e da sua vida. Esboçou um leve sorriso de alívio e fechou os olhos.

12 junho 2006

Santo António com manteiga

(daqui)

... e faz hoje 18 anos qu'o gajo me perguntou, entre copos e sardinhas, se eu gostava de manteiga.
A mim, que nunca tinha visto o "Último Tango..."! Na minha Santa Ignorância, disse que sim.
E cá estamos...

08 junho 2006

Anúbis e Ísis


Entraram ontem para a família.

03 junho 2006

Cérebro masculino


(via email)

29 maio 2006

27 maio 2006

Atlantic City

Well they blew up the chicken man in Philly last night now they blew up his house
too
Down on the boardwalk they're gettin' ready for a fight gonna see what them racket
boys can do
Now there's trouble busin' in from outta state and the D.A. can't get no relief
Gonna be a rumble out on the promenade and the gamblin' commission's hangin'
on by the skin of its teeth
Well now everything dies baby that's a fact
But maybe everything that dies someday comes back
Put your makeup on fix your hair up pretty
And meet me tonight in Atlantic City
Well I got a job and tried to put my money away
But I got debts that no honest man can pay
So I drew what I had from the Central Trust
And I bought us two tickets on that Coast City bus
Well now everything dies baby that's a fact
But maybe everything that dies someday comes back
Put your makeup on fix your hair up pretty
And meet me tonight in Atlantic City

Now our luck may have died and our love may be cold but with you forever I'll stay
We're goin' out where the sand's turnin' to gold so put on your stockin's baby
'cause the night's getting cold
And everything dies baby that's a fact
But maybe everything that dies someday comes back
Now I been lookin' for a job but it's hard to find
Down here it's just winners and losers and don't get caught on the wrong side of
that line
Well I'm tired of comin' out on the losin' end
So honey last night I met this guy and I'm gonna do a little favor for him
Well I guess everything dies baby that's a fact
But maybe everything that dies someday comes back
Put your hair up nice and set up pretty
and meet me tonight in Atlantic City
Meet me tonight in Atlantic City
Meet me tonight in Atlantic City

Bruce Springsteen, "Atlantic City"

Tinha saudades do "Nebraska".
Se conduzisse, pegava no Camaro e metia estrada fora, quilómetros e quilómetros de estrada ladeada por quilómetros e quilómetros de deserto, de areia, de pó, sol escaldante e "Nebraska". A América que eu não conheço tem sempre esta banda sonora.

23 maio 2006

A sucker for soccer

(daqui)

Mulher, se esperavas uma oportunidade para...

- comprar finalmente aquela malinha tão gira equivalente a meio mês de ordenado sem ouvir recriminações;
- pôr a leitura em dia, descansada;
- sair todas as noites e voltar tarde e mal (até podes trazer companhia, ele não vai notar!);
- jantar com aquelas amigas que não vês há séculos porque "...são umas galinhas!";
- dormir as noites descansada e com a cama toda por tua conta (ele adormeceu no sofá com a cara enfiada na malga dos amendoins);
- fazer olhinhos (ou algo mais) ao vizinho do lado, ao jardineiro ou a outro espécimen do sexo oposto que não aquele que já tens em casa (vulgo "facadinha");
- etc, etc, etc...

... não desesperes! Junho vem aí e o Mundial também.

Tempo

Dos anos que correm rápido passando por mim a velocidades desvairadas apenas direi que é culpa minha: à força de tanto querer que à Segunda suceda a Sexta, assim acelero o tempo sempre desejoso de me fazer as vontades desde que sejam também as suas.

20 maio 2006

"I don't like architects!"

"5 Anos de tolerância
Os Srs. deputados vão votar mais uma vez sobre matérias que desconhecem. Mas falam como se lidassem com o problema todos os dias. É só ouvi-los falar…
Os arquitectos tiveram 5/6 anos de formação superior na qual empenharam a sua vida, os seus recursos e os do Estado. São hoje mais de 13 000 e acotovelam-se para arranjar emprego como porteiros em discotecas. Não podem concorrer com os preços, a irresponsabilidade e a incompetência dos outros técnicos a quem a lei 73/73 atribuiu "competências" para conceber edifícios. São "competências" que não lhes foram dadas nunca, num processo formativo estruturado e coerente, mas sim "emprestadas" por lei e numa altura em que não eram mais de 500 os arquitectos neste país.
Esses tais "outros técnicos" são responsáveis por 80% a 90% dos projectos entrados e licenciados nas câmaras. Fazem-nos a "preço de saldo" porque sabem por um lado a "desqualidade" do projecto que vendem e, por outro, a "desresponsabilidade" que colocam no processo. Não lhes custa muito, por isso cobrar o que cobram por um projecto decalcado.
Há quem goste deste estado de coisas. É uma atitude "esperta". Mas dos Srs. deputados seria de esperar uma atitude inteligente. Era suposto saberem que as decisões que se tomam de forma leviana e corporativa para proteger interesses instalados têm consequências na paisagem, e que já vai cheirando mal à nossa volta.
Mas não.
De que serve então ter uma lei de 1990 de adaptação da directiva europeia de 1985 que referia que esta área deve ser limitada a profissionais com formação superior em arquitectura? E a outra de 1998, que, definindo o estatuto dos arquitectos, lhes atribui em exclusivo esta mesma competência? E para que foi o "peditório nacional" de 2002 que exigia do governo acção nesta matéria? Quem é que ignorava este processo de fazer justiça e corrigir o que é imoral?
5 Anos de período de transição para que um direito, uma responsabilidade, uma obrigação do Estado perante o seu povo, a sua qualidade de vida, a sua paisagem, a sua estrutura urbana, enfim, perante a estatura reconhecida da sua arquitectura, se concretize. Mais 5 anos. Desde de 1990 que os arquitectos ganharam o número e o enquadramento legal necessário e suficiente para que justiça seja feita. As razões morais e de qualidade vêm já de trás, desde 1973. Desde 1973 a viver no reino da irresponsabilidade e a valorizar a mediocridade. Por isso não são 5, são já 16 anos e não é nada pouco! Com mais 5 chega a 21! E realmente é preciso ser-se maior e vacinado para aturar tamanha incompetência! E diz o egrégio bastonário que o governo (leia-se engenheiros) juntamente com o IMOPPI (leia-se engenheiros) já estão a regulamentar todo o processo de forma global e integrada… Será que se vão lembrar de chamar o seu a seu dono e decompor a direcção de obra em dois, criando um "Termo de responsabilidade pela arquitectura do projecto"? Sim, que se a formação é divergente e a actividade profissional é autónoma, então a direcção de obra terá que ser bicéfala. Mas também ninguém parece lembrar-se disso.
Mais 5 anos, francamente…!"
Tempo de antena do Antonymous. Porque desabafar faz bem.

18 maio 2006

18 de Maio 1917

(daqui)
Para a Mãe Gilda.
Agora sou eu quem diz, embora tarde demais, "obrigada pela dádiva".

16 maio 2006

73/73

"Decreto 73/73
Primeira iniciativa legislativa de cidadãos discutida a 18 Maio

A Assembleia da República vai discutir e votar, a 18 de Maio, a Iniciativa Legislativa de Cidadãos «Arquitectura: Um direito dos cidadãos, um acto próprio dos arquitectos», que pretende revogar parcialmente o Decreto 73/73.
O projecto de lei que visa a revogação parcial do Decreto 73/73 pretende que a elaboração, subscrição e apreciação de projectos de arquitectura sejam da exclusiva responsabilidade dos arquitectos que se encontram inscritos na respectiva ordem profissional.
Esta é a primeira iniciativa legislativa apresentada por cidadãos eleitores junto da Assembleia da República, de acordo com a legislação aprovada em 2003 para o efeito.
Actualmente, engenheiros civis, técnicos de engenharia e de minas, construtores civis diplomados e outros técnicos de engenharia podem subscrever projectos de arquitectura. A Inciativa Legislativa de Cidadãos pretende «devolver e reservar aos arquitectos as competências cujo exercício só a sua especial qualificação justifica e exige»".(continua)

14 maio 2006

11 maio 2006

11 de Maio... O meu pai faz anos

O mê pai faz anos hoje. Eu gosto muito do mê pai. E ele gosta muito de mim. Eu não lhe digo isto muitas vezes mas ele sabe que sim.
Dizem que as meninas são mais agarradas ao pai que à mãe. Por força de circunstâncias várias tal não veio a acontecer connosco, a cumplicidade foi toda para a mãe, que era quem estava presente.
O pai não. Quando eu tinha 4 ou 5 anos emigrou para o Canadá. Dos anos que lá passou guardo cartas e, principalmente, postais. Não destes agora, mas postais pequeninos. Não os vejo há muito tempo mas, a menos que a memória me atraiçoe, acho que são dezenas deles. São monumentos, paisagens, igrejas, gentes. Também mandava uns postais de aniversário na altura espantosos: consoante se viravam, assim se mexiam os patinhos ou gatinhos neles impressos, pareciam vivos e chegavam a ser assustadores.
Tinha uma brochura da embaixada canadiana que falava sobre o país das mil oportunidades e que lia e relia até quase a saber de cor. O Canadá passou a ser para mim o Paraíso.
Para o meu pai, nascido e criado numa aldeia, sem falar a língua e sozinho, presumo que não deve ter parecido assim. Como bom português, meteu mãos à obra e fez de tudo um pouco. Não sei muitas histórias que ele não é de falar muito, mas lembro-me de contar que trabalhara na limpeza de uma fábrica de chocolates e de como suspeitava que deixavam as caixas abertas nas secretárias num teste silencioso à honestidade dele e dos colegas. A certa altura saiu da cidade e foi para a construção do caminho-de-ferro. Passavam semanas na floresta quase virgem, afugentavam os ursos gulosos do barracão/despensa com gasolina e a única coisa que os ligava à civilização eram os quilómetros de linha que iam deitando para trás das costas. Um acidente com um vagão tirou-o dali para fora de helicóptero direito para o hospital. Guarda a recordação na forma de uma "entrada" de cabelo ligeiramente desproporcionada.
Quando regressou a Portugal encontrou uma filha que não conhecia. E vice-versa. Tentou compensar com passeios domingueiros e idas à praia. Aí sim, dentro de água não havia diferença entre nós, eu era uma "pata" igualzinha a ele, horas dentro de água até ficar com os dedos roxos. Hoje chamar-lhe-iam inconsciente mas com 9 ou 10 anos levava-me para o mar da Nazaré onde bebi mais água do que em qualquer outra praia. Aí aprendi com ele a furar ondas e também a aceitá-las, a deixar o corpo mole quando era enrolada e despejada na praia.
Fui crescendo sem grandes sobressaltos e sem lhe causar dores de cabeça de maior importância até o carteiro começar a parar amiúde em casa para deixar cartas atrás de cartas que vinham da Madeira.
Vi o meu pai chorar duas vezes por causa do mim: no largo da igreja aqui em frente, quando me acompanhou à Madeira da primeira vez e teve consciência de que eu ia ficar e quando me levou pela segunda vez ao aeroporto para vir embora. A minha mãe, a avó, tudo bem, mas o meu pai não chorava e essa recordação queimou-me durante muito tempo.
Agora, tal como a minha mãe, também ele tem a filha e os netos a crescer longe dele. Vamos compensando os dois mandando-lhes os miúdos durante as férias para que os estraguem com mimos, cada um à sua maneira. E assim se atenuam as saudades até à próxima partida.
É assim, pai.
Um beijinho e um xi-coração apertado.

09 maio 2006

9 de Maio... A minha mãe faz anos

A 'nha mãe faz anos hoje.
Eu gosto muito da 'nha mãe. E ela gosta muito de mim. Eu não lhe digo isto muitas vezes mas ela sabe que sim.
Hoje, como quase todos os dias, ela vai ligar-me e perguntar como estou, como estamos todos. É a aspirina dela para a saudade, para o facto da filha envelhecer e os netos crescerem longe dela.
E porque é dia de anos vai ser mais difícil desligar e vamos ficar com os olhos meio embaciados. E depois quando vier aqui, possivelmente vai mesmo borrar os olhos todos, não vais? Vai-me lavar essa cara, mulher!...
Por não me ser fácil falar de quem gosto, principalmente de quem comigo partilhou sangue e carne e cordão umbilical, estão ali em baixo coisas nossas, minhas e dela, algumas só dela, num falar por falar, bocadinho disto, bocadinho daquilo, numa manta de retalhos que fiz para nós duas.
Pega nessa ponta que eu pego nesta.
Um beijinho e um xi-coração apertado.

9 de Maio... De "quando fores velhinha"


"... e um dia, quando fores velhinha, ponho-te pólvora nos ouvidos e fazes PUUUUUM!"
Isto disse-te eu há muitos anos, furiosa não sei por que razão, era uma fedelha, e tu nunca mais esqueceste e passaste a contar a toda a gente, divertidíssima, o destino que a tua filha te reservava quando fosses velhinha.
Lixaste-me! Agora toda a gente sabe e se um dia me passar pela cabeça "limpar-te o sebo" o que me resta? Só se for as lagartas das couves! Não é justo.

9 de Maio... Das lagartas

Tu matas cobras nas calmas, ratos assim-assim, mas as lagartinhas em geral e aquelas amarelas e pretas que atacam as couves em particular, essas, deixam-te apavorada.
Um belo dia estava eu lá em cima em casa a fazer não sei o quê e ouvi uma voz irreconhecível de pavor a chamar-me baixinho lá em baixo no jardim... tão baixinho que quase nem te ouvia. Espreitei pela janela e lá estavas tu, transida, uma estátua branca como a cal, incapaz de se afastar do viçoso pé de couve cheio de lagartinhas vorazes. Lá fui eu arrastar-te para longe delas até ganhares cores de gente viva. Lagartas, mãe?! Pelo menos eu tenho medo de cobras e tubarões que são assim bichos de certa monta e perigosidade, agora lagartas?!

9 de Maio... Do Sporting

É Verde até à medula!
Observá-la a ver um jogo dos seus Leões é uma experiência única. Principalmente naquela parte em que se levanta do sofá e caminha em transe para o aparelho de televisão, de olhos arregalados. Acho que a intenção é dar uma ajudinha ao Ricardo ou um estaladão a um dos adversários.
Se os "outros" marcam e os nervos já chegaram ao ponto de rebuçado, vai-se embora e fecha-se no quarto... agarrada ao rádio. Leoa sofre!

9 de Maio... Das flores

Não sei o que ela faz, é jeito, prática, anos e anos a mudar vasos, energia positiva, sei lá... Só sei que as flores com ela ganham uma exuberância impressionante.
Só as vê de quinze em quinze dias mas quando ela chega, parecem galarós, todas impantes. Trata-as com desvelo e carinho mas, quando é preciso, pões os pontos nos iis como fez com as estrelícias.
Não me lembro se as levou da primeira vez que veio à Madeira ou se lhas deram, o que é certo é que, ao fim de um ou dois anos, o diabo da planta apresentava fartas folhas mas flores, nem vê-las! Farta de não ser correspondida, chegou-se um dia ao pé da estrelícia com a enxada e avisou-a:
- Tu, ou te despachas a dar flores, ou ponho-te as raízes ao sol!
Não sei se a planta percebeu o perigo, o que é certo é que desatou a dar flores e até hoje ainda não parou.

9 de Maio... Dos bolos

Deliciosos, os teus doces, todos. O bolo mármore, o arroz-doce, o bolo de maçã, as argolinhas, aquela coisa com maçã e pudim flan, a torta de laranja... ái a torta de laranja!
Com os outros podia acontecer, mas era raro. Agora com a danada da torta, parecia que funcionava na razão proporcionalmente inversa à necessidade da dita sair impecável.
Saía do forno, prometedora e com um perfume que se espalhava pela casa toda. Ao desenformar a coisa já começava a correr mal e então era a tentativa desesperada de a soltar, depois começava a sair aos pedaços e todo o doloroso processo terminava com o disparo pela porta fora do resto da torta, tabuleiro e tudo, num voo sem asas. Não valia a pena tentar lembrar-lhe que aquela massa deformada mas deliciosa podia muito bem ser comida à colherada. A fúria da cozinheira era implacável e quem ficava a ganhar eram os cachorros da vizinhança que se lambuzavam com a sobremesa inesperada.

9 de Maio... Da bilha de gás

Eu tinha realmente pedido para trazerem gás mas tinha esquecido de dizer onde deviam entregá-lo. Era uma miúda e nunca tal questão prática tinha passado pela minha cabeça. Agora a bilha estava ali em casa da minha avó, na parte de baixo da aldeia, e de certeza que não ia ganhar pernas para subir até à minha casa. A mãe estava furiosa, sem gás e a ter de carregar aquele pesadelo pela aldeia acima, eu chorava baba e ranho, aflita com a situação. E metemos mãos à bilha. A primeira etapa era uma subida puxada e dura até à capela. Entre arranques e paragens para recuperar o fôlego, quando lá chegámos já a minha mãe tinha deixado a zanga para trás. O problema agora era o riso. A nossa figura era tal, estávamos tão cansadas que por tudo e por nada desatávamos numa risada, perdíamos as forças e largávamos a bilha. E ainda faltava o melhor da festa: a segunda etapa da subida até ao topo da aldeia. Se subir aquela ladeira em condições normais era uma dor, então a carregar uma bilha de gás era um verdadeiro calvário. E a rir que nem colegiais idiotas por tudo e por nada também não ajudava. Mas chegámos a casa. Rebentadas, com as mãos vermelhas e inchadas, encharcadas em suor e às risadas como se tivéssemos assistido a uma comédia na primeira fila. Agora, quando raramente surge um stress uma uma situação do género, uma de nós dirá "Ficaste chateada? Olha, vai carregar uma bilha de gás!"

9 de Maio... Da educação

Péla-se por uma boa anedota! Por vezes toma nota em papéis para depois contar, tem sempre uma anedota nova. Se for "picante", melhor!
Desde miúda que as ouço, depois comecei a ter o meu próprio repertório e fontes e passei a contar-lhe também anedotas.
Quando eram mesmo reles, ela fazia um ar falsamente chocado:
- Ai que horror! Mas foi essa a educação que eu te dei?
Era a minha deixa. Por vezes respondia logo, outras vezes fazia-me desentendida até ela ficar impaciente e avançar com um "Então?". Aí, punha um ar afectado e fazia-lhe a vontade:
- Não! Era pior ainda, mas foi o que consegui absorver!

07 maio 2006

Bom dia

(daqui)

01 maio 2006

Fairy feet

"Had I the heavens' embroidered cloths,
Enwrought with golden and silver light,
The blue and the dim and the dark cloths
Of night and light and the half-light,
I would spread the cloths under your feet:
But I, being poor, have only my dreams;
I have spread my dreams under your feet,
Tread softly because you tread on my dreams"

W.B. Yeats

27 abril 2006

Happy Birthday

Happy birthday, my dear.... um beijo, um abraço apertado e o melhor do mundo só para ti: uma garrafinha de Absolut.

25 abril 2006

Os Vampiros

No céu cinzento
Sob o astro mudo
Batendo as asas
Pela noite calada
Vêm em bandos
Com pés veludo
Chupar o sangue
Fresco da manada

Se alguém se engana
Com seu ar sisudo
E lhes franqueia
As portas à chegada
Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada

A toda a parte
Chegam os vampiros
Poisam nos prédios
Poisam nas calçadas
Trazem no ventre
Despojos antigos
Mas nada os prende
Às vidas acabadas

São os mordomos
Do universo todo
Senhores à força
Mandadores sem lei
Enchem as tulhas
Bebem vinho novo
Dançam a ronda
No pinhal do rei

Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada

No chão do medo
Tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos
Na noite abafada
Jazem nos fossos
Vítimas dum credo
E não se esgota
O sangue da manada

Se alguém se engana
Com seu ar sisudo
E lhes franqueia
As portas à chegada
Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada

Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada

"Os Vampiros", Zeca Afonso

Esta foi a primeira canção do Zeca Afonso que ouvi por alturas do 25 de Abril, mais ano menos ano. Gostava mas achava-a estranha e sombria sem lhe perceber bem as palavras. Tantos anos depois mantém a actualidade e pertinência: os vampiros apenas ganham caras e métodos diferentes mas continuam por aí.

24 abril 2006

Grafologia

"A inclinação de sua letra mostra que você é uma pessoa introvertida e bastante inibida ao falar de si. A ligação de sua letra revela organização, raciocínio lógico e razoável capacidade de adaptação. A direção de sua letra indica controle, constância e organização, especialmente nas tarefas cotidianas. A pressão que usa ao escrever sinaliza estabilidade e equilíbrio. As áreas valorizadas na sua escrita destacam idealismo, erudição, preocupação com seu crescimento interior. A forma de sua letra demonstra firmeza, decisão, perseverança e agressividade."

Esta é a minha.
Esta é de quem a apanhar:
http://istoe.terra.com.br/istoedinamica/testes/grafologia/index.asp

(via "mana")

20 abril 2006

As palavras dos outros

Quando nada sai por falta de vontade ou de palavras, restam as palavras dos outros.
É um conto belíssimo e doce.
Enjoy

"Chirren" - Jacob Ross

19 abril 2006

Uma memória

Foi há 35 ou 40 anos que ela entrou na mercearia e perguntou:

"- Ó Maria Leal, tu tens cartas de luto?
- Não, prima.
Pausa.
- Então dá-me aí um bocado de queijo flamengo."

...e ainda hoje riem a bandeiras despregadas quando contam isto. E eu com elas.
Agora está aqui para que eu não me esqueça, que a memória é muito traiçoeira.

07 abril 2006

Páscoa Feliz



04 abril 2006

Espelho

(daqui)

Pára!
Fica assim:
à distância de um olhar, um passo, um abraço...
Olha-me bem.
Escolhe então:
se me contemplas,
se em mim mergulhas.

01 abril 2006

Cenas da vida conjugal

- Escreve.
- O quê?
- Qualquer coisa.
- "Qualquer coisa".
- Piadinha!
- Isto está mau. Ando seca.
- Trata-se já disso...
- Piadinha!
....
- Então?
- Então o quê? Não sai!
- Ou escreves ou vens p'ra cama...
- Espera.
(suspiro)
- Tenho fome.
- Taradão!
- Também... mas é da outra mesmo. Há bolachas?
- Não. Maçãs, iogurtes e dois Kit Kat Crunch.
- ... dos miúdos.
- Exacto!
- Hum...
- Eu não conto se tu não contares...
- Ok! Vou buscar.
...
- Acabei!
- Deixa ver...
...
- O quê?!... Vais postar isto?
- Se não gostas arranja um blog teu!
(passando a mão pela careca imaginária, com os olhos perdidos no vazio)
- The horror! The horror...