16 julho 2005

Da necessidade de ter um Quarto dos Esqueletos

As casa por onde fui passando ao longo da vida tinham todas um denominador comum: um "quarto de visitas" ou uma "Sala de Jantar boa". Isto significava que, à excepção daquele parente que aparecia de 5 em 5 anos ou de um jantar de Natal, eram divisões da casa onde se entrava apenas para limpar o pó e renovar o ar, pesado e mofento por não ser respirado.
Presentemente não nos podemos dar ao luxo de ter divisões em "stand-by". Todas são utilizadas ao máximo e mais espaço houvesse mais era utilizado. A tralha que arrastamos e acumulamos pela vida fora invade todos os armários, gavetas, esconde-se atrás das portas, atrás de cortinas, com um bocado de jeito e corda, até se pendura no tecto.
Chegamos a casa, ao nosso pequeno oásis, vamos ao armário buscar as bolachinhas e cai-nos em cima uma chuva de confetis que sobraram do último aniversário do puto; nas prateleiras temos "bibelots" que gostaríamos de partir mas o coração não deixa; as enormes capas de cartolina cheias de mimosos trabalhos do tempo da creche acotovelam-se com a roupa de inverno naquele armário onde também estão as caixas de fotos por organizar, um aspirador que ainda está (quase) bom, os livros do curso, a tábua de passar a ferro, 2 tendas, caixas de ferramentas e um escadote.
Queridos arquitectos, está na hora de implementar o Quarto dos Esqueletos.
Seria aquele quarto estratégicamente colocado a meio da casa, teria os seus 12/16 m2, um belo armário de parede a parede, uma engenhoca com roldanas para içar as bicicletas, e lá caberia tudo aquilo que nos atrapalha os passos e é supérfulo no nosso dia a dia, mas que precisamos de ter à mão em certas e determinadas horas.
E isto não é um luxo, é uma questão de sanidade mental... pelo menos da minha!

São 18.40 e vou fazer torradas.

2 comentários:

Cristina disse...

Se teu desejo é relactivo à uma casa...um bom arquitecto resolve teu problema numa boa.
Tens a solução típica americana de uma escada embutida no tecto, puxa-se a dita e tens acesso ao sonho de toda mulher...um quarto extra só para os cacarecos.
Mas se desejas em apartamentos - não é culpa dos arquitectos - com os anos eles vão ficando cada vez menores.
Meu "quarto de empregada" há anos deixou de ser, mas a menina tem um espaço em diagonal para se trocar ;P

Uxka disse...

Ah, eu durmo com o arquitecto ;)... so que com esta casa ele não teve hipótese, tem condicionantes estruturais que não permitiram tudo o que queriamos. Digamos que é uma sugestão/desejo a cumprir um dia.